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«Bem, devo começar por dizer que esse título é quase ofensivo, para mim e para os meus parceiros, é claro..», resmungou por entre uma nuvem de anéis de fumo.

Ela ficou algo atrapalhada, mas não lhes conhecia outro nome.

«Sabe, Menina, nós não roubamos nada a ninguém. Limitamo-nos a eliminar a presença física de quem já não é desejado, de forma a que todo e qualquer rasto, recordação, memória, obra ou registo desapareça para todo o sempre… e passado.»

Antes que ela tivesse oportunidade de perguntar quem tinha o direito de julgar alguém desnecessário, ele continuou:

«Veja, Menina, isto é tudo muito simples…». Nova nuvem de fumo. «Imagine que há um fulano que é casado, desenhou uma ponte e tem netos. Pois bem, decidida que esteja a sua eliminação, desaparece o tipo, a ponte, os filhos, os netos e todas as memórias, recordações e ligações ao eliminado desaparecem. Ninguém se vai lembrar dele, descendência ou obra porque, pura e simplesmente, não haverá nada nem ninguém para ser recordado.»

Ela agitou-se desconfortavelmente na cadeira, olhando em redor. O bar estava agora vazio. A sua investigação havia chegado a um ponto inesperado. Olhou em frente e deu com a expressão divertida dele:

«Agora, Menina, certamente que calcula o que vai acontecer.»

Nesse dia,«Menina» deixou de constar do Mundo dos vivos, da memória de qualquer base de dados ou ser pensante e a sua demanda pelos Ladrões de Almas ficou-se por ali nunca existiu.

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Perguntaram-me se alguma personagem em especial marcou a minha adolescência.

Respondi que nem por isso.

Menti, é claro, mas não tive lata de dizer que o meu herói foi, é e será um personagem de computador com 16 px de altura; sim, aquele que vêem ampliado no cabeçalho do blogue, o Miner Willy.

De facto, o verdadeiro poder está em dizer Não.

Poupa-se muita chatice.

Ele: Mas como é que alguém na tua posição anda nesses preparos, com o umbigo à mostra?

Ela: Não tenho culpa, são as mamas que me sobem a blusa.

Ele:

Ela: Não achas que ao não usares aliança estás a transmitir uma ideia errada às tuas colegas?

Ele: Não me parece estar a transmitir mais do que um esqueci-me ou perdi-a. Não te esqueças que o usar aliança, isso sim, pode servir para transmitir algo do género «vês, podemos dar umas quecas sem compromisso, que eu empregada já tenho».

Enquanto estou aqui especado à espera que alguém se oriente, a persistência da chuva contra a janela (noutros tempos o termo seria vidraça, hoje insultuoso para com os vidros duplos de não sei quantas faces fumadas de não sei que espessura e mais não sei o quê atérmico e insonorizante sustentados por caixilharias xpto, a léguas de distância dos pequenos quadrados de vidro presos por finos pregos e massa de vidraceiro em mais ou menos trabalhadas ripas de madeira) recorda-me que, de facto, a família e a privacidade são o que de mais importante construímos: o conforto do nosso Mundo enquanto navegamos nessa imensidão que é, ao fim e ao cabo, o Mundo dos outros.

Ela: Estás a ficar com o cabelo fino… e ralo.

Ele: O que queres, é a velhice…

Ela, com um sorriso triunfante: É não é?

Ele, impávido: Não te esqueças, pá, já estou quase da tua idade…

– A tua mulher tem um ar deprimido mas, pudera, é casada contigo…

– Olha, e a tua tem um ar alegre demais para quem está casado contigo. Percebes?

Quando me disseram que o Benfica ganhou 4-0 ao União de Leiria, perguntei se era normal num jogo uma equipa marcar quatro golos na própria baliza.