«Bem, devo começar por dizer que esse título é quase ofensivo, para mim e para os meus parceiros, é claro..», resmungou por entre uma nuvem de anéis de fumo.
Ela ficou algo atrapalhada, mas não lhes conhecia outro nome.
«Sabe, Menina, nós não roubamos nada a ninguém. Limitamo-nos a eliminar a presença física de quem já não é desejado, de forma a que todo e qualquer rasto, recordação, memória, obra ou registo desapareça para todo o sempre… e passado.»
Antes que ela tivesse oportunidade de perguntar quem tinha o direito de julgar alguém desnecessário, ele continuou:
«Veja, Menina, isto é tudo muito simples…». Nova nuvem de fumo. «Imagine que há um fulano que é casado, desenhou uma ponte e tem netos. Pois bem, decidida que esteja a sua eliminação, desaparece o tipo, a ponte, os filhos, os netos e todas as memórias, recordações e ligações ao eliminado desaparecem. Ninguém se vai lembrar dele, descendência ou obra porque, pura e simplesmente, não haverá nada nem ninguém para ser recordado.»
Ela agitou-se desconfortavelmente na cadeira, olhando em redor. O bar estava agora vazio. A sua investigação havia chegado a um ponto inesperado. Olhou em frente e deu com a expressão divertida dele:
«Agora, Menina, certamente que calcula o que vai acontecer.»
Nesse dia,«Menina» deixou de constar do Mundo dos vivos, da memória de qualquer base de dados ou ser pensante e a sua demanda pelos Ladrões de Almas ficou-se por ali nunca existiu.

11 comments
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08.11.2006 às 14:03
pseudoblog
O Senhor está a fazer greve de blogue, como o seu parceiro?
08.11.2006 às 23:38
Zero
Penso que é altura de revelar a verdade… Nós somos uma e a mesma pessoa, assim tipo Santíssima Trindade mas em Duo.
Tá dito.
09.11.2006 às 19:04
Ivan Cardoso
estória muito engraçada.. faz disso uma saga… ela consegue de alguma forma voltar a enquadrar-se ao mundo de onde pertiu inporsionada pelos caçadores de alma e divulgar a cerdade ??
seria interessante…
14.11.2006 às 21:43
ivamarle
este caso é muito mais trágico e grave que o da Blimunda, que se limitava a recolher as vontades para fazer voar a passarola do Bartolomeu Lourenço…
16.11.2006 às 20:31
C.E.O. (chefe exclusivo e omnipresente)
continua, continua…
16.11.2006 às 22:25
lena
“«Menina» deixou de constar do Mundo dos vivos, da memória de qualquer base de dados ou ser pensante e a sua demanda pelos Ladrões de Almas ficou-se por ali nunca existiu.”
Arrepiante. Aguardo…
20.11.2006 às 19:04
Mia
E foi quando se apagou “Menina”, que o mundo se tornou como hoje o conhecemos… de um homem só.
Ao apagar-se “Menina”, apagaram-se todas as memórias, todas as ligações, toda a existencia que pudesse recordar: pais, marido, filhos, colegas de trabalho, amigos, vizinhos, irmãos, sobrinhos, amantes, padeiro, talhante… foram todos desaparecendo, esfumando-se no ar, cessando um após o outro, como peças de um enorme dominó, tombando uma a uma, até… restar apenas, o homem só.
Aquele que se senta no banco do jardim, no vão de escada, aquele que passamos sem olhar, sem ver. O ser invisivel. De quem não há memória.
23.11.2006 às 23:23
pseudoblog
Olá, não sei como te responder, volta tudo para trás.
24.11.2006 às 0:05
pseudoblog
I’m on your walla blacklist, my dear! Oh well.
28.03.2007 às 18:26
abraxas
Curti.
27.05.2008 às 14:39
puta
SUA PUTA