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Enquanto estou aqui especado à espera que alguém se oriente, a persistência da chuva contra a janela (noutros tempos o termo seria vidraça, hoje insultuoso para com os vidros duplos de não sei quantas faces fumadas de não sei que espessura e mais não sei o quê atérmico e insonorizante sustentados por caixilharias xpto, a léguas de distância dos pequenos quadrados de vidro presos por finos pregos e massa de vidraceiro em mais ou menos trabalhadas ripas de madeira) recorda-me que, de facto, a família e a privacidade são o que de mais importante construímos: o conforto do nosso Mundo enquanto navegamos nessa imensidão que é, ao fim e ao cabo, o Mundo dos outros.
Ela: Estás a ficar com o cabelo fino… e ralo.
Ele: O que queres, é a velhice…
Ela, com um sorriso triunfante: É não é?
Ele, impávido: Não te esqueças, pá, já estou quase da tua idade…
- A tua mulher tem um ar deprimido mas, pudera, é casada contigo…
- Olha, e a tua tem um ar alegre demais para quem está casado contigo. Percebes?
Quando me disseram que o Benfica ganhou 4-0 ao União de Leiria, perguntei se era normal num jogo uma equipa marcar quatro golos na própria baliza.
Ouvido há pouco na mercearia do tipo que estava à minha frente:
- Desculpe, menina, podia escolher-me uns melões que estou com pressa?
- Mas é claro, tenho olho para os melões, basta mexer-lhes e vejo logo se estão bons. Aliás tenho imenso jeito com os melões, até acho que estou na profissão errada… adoro fazer isto com os melões.
Daí a razão do vídeo: fruta madura. Boa.
Por muitas dúvidas que a vida nos atire, há uma certeza: não sabe, não mexe, não estraga.
Recomeça aqui o estio, muito provavelmente num registo algo diferente.
Então vamos lá a isto e desculpem qualquer coisinha.

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