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De facto, o verdadeiro poder está em dizer Não.
Poupa-se muita chatice.
Ele: Mas como é que alguém na tua posição anda nesses preparos, com o umbigo à mostra?
Ela: Não tenho culpa, são as mamas que me sobem a blusa.
Ele: …
Surgiu isto na conversa:
– Pintaste-lhes os painéis?
– Pintei-lhos.
Ela: Não achas que ao não usares aliança estás a transmitir uma ideia errada às tuas colegas?
Ele: Não me parece estar a transmitir mais do que um esqueci-me ou perdi-a. Não te esqueças que o usar aliança, isso sim, pode servir para transmitir algo do género «vês, podemos dar umas quecas sem compromisso, que eu empregada já tenho».
É uma fase. Isto passa, isto passa…
Há uns dias que no Abrupto se vem publicando uma série de recortes da censura do outro tempo, em que semi-analfabetos (atendendo à ortografia exibida) descreviam as notícias que cortavam, com sintético fundamento (imoral, sugestivo, anti-católico, etc…); para grande surpresa minha (ironia, ironia…), parece que já na altura Portugal era um País normal: pessoas que pensavam, que punham em causa o regime estabelecido e os regimes que o Regime estabelecia, suicidas, homicidas e, até,trocadilhos de índole sexual (falo agora da referência aos tumultos provocados pela chegada de Greta Garbo a uma cidade e o comentário «Oh, senhores, não há maneira de deixarem a Greta em paz!»).
Todavia, simultaneamente são publicados os famigerados retratos do trabalho daquela época, fotografia a preto e branco imaculada, sorrisos para a câmara, composições cuidadas, tudo muito tipo «Aldeia da Roupa Branca».
Coisas.
(eu tinha de publicar qualquer coisa, até porque o facto mais marcante de hoje aconteceu à noite no supermercado, observando uma persistente e compulsiva tacteadora de pão, que devia ser cega tal a força com que se agarrava às baguetes, saltando-lhe eu à frente e salvando um saco de pãezinhos daquelas pinças afiadas com um «desculpe, minha senhora, mas não preciso que me apalpe as bolas»).
Adormeceu mal isto acabou.
Irresistível (12′10”).


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